Gosto do meu trabalho, a sério que gosto. Nunca pensei gostar tanto. Apesar da proximidade lógica que sempre existiu nunca me imaginei ali, nunca sonhei com aquilo. No entanto, isso não não me impediu de adorar o que faço e de querer fazer sempre mais e melhor. Gosto de não haver dois dias iguais, gosto de o tempo passar a voar e de olhar para o relógio e já ter deixado passar o break da manhã e a hora do almoço também estar quase no fim. Gosto de resolver problemas (também gosto de os inventar), gosto de fazer boas vendas e gosto de fazer frente aos que chegam lá de nariz empinado mas já gostei mais... Em dias como hoje, não regresso com a mesma energia com a mesma vontade que regressaria se o sítio fosse outro, se o sítio fosse o que já foi.
Lembro-me como me custou o primeiro dia, o segundo e o terceiro, dias esses em que tive de passar sempre pelo sítio anterior até me mentalizar que já não pertencia ali, que a vida é feita de ciclos e aquele estava encerrado. Não sei se queria voltar, a equipa praticamente já não é a mesma, o sítio já não é o mesmo (com as obras parece que nunca ali estive) mas passar por lá e ouvir esta é a "C."e um destas secretárias há-de ser dela ou "sempre que me perguntam quem quero cá digo o teu nome" faz nascer em mim uma esperança que não quero. Foram 6 meses do melhor que há, onde conheci pessoas que nunca pensei que me fossem dizer tanto, que fossem continuar tão presentes passado este tempo. Sou o que sou profissionalmente (que é quase nada) por ter começado com eles, por ter aproveitado tudo o que me tinham para me ensinar, por ter absorvido os puxões de orelhas e por os ter chateado muito! Se tivesse começado onde estou agora não sei se teria passado à fase seguinte, provavelmete teria e se calhar até tinha sido preferível. Não sei, não sei hoje e nunca vou saber. Sei que o sorriso que todos sempre me gabaram me anda a fugir e sei que preciso de mudar, sei que quando as férias acabarem lá se vai o balão de oxigénio que arranjei para sobreviver a mais uma fase e sei que deposito todas as esperanças na volta da C. para puder sair, até lá acho díficil, não que seja insubstituível, muito longe disso.
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