Foram 12 horas a andar.
Poucas horas de sono, muito frio.
Um pouco de inconsciência à mistura levou-me a acreditar que seria capaz de o fazer.
Ainda mais quando me apercebi que talvez não tivesses partilhado com muita gente que o querias fazer. Partilhaste-o comigo, porquê não sei. Quer dizer, tenho uma vaga ideia. Mas podias não o ter feito. Como tanta coisa não fizeste. Mas eu percebo, para mim era normal porque eras tu.
Frio, sono, cansaço, pensar que nunca o tinha feito, que nunca tinha pensado (sequer) fazer, muitas horas, pouca noção de se conseguiria terminar, muita vontade de chegar ao fim.
Dor, chuva e mais frio. Os músculos já se ressentiam, muito. Mas é um esforço que não se faz todos os dias, nem por todos os motivos e nem por toda a gente. Mas eu sabia que conseguia, tinha que conseguir, queria conseguir!
Faltavam 2 km, só 2, depois dos 44 que percorremos ao longo do dia. 12 horas depois ressenti-me. Tive que optar, a escolha foi chegar, não deixando que eles se sacrificassem mais por mim, porque isso não faz sentido. Não fui por sacrifício, por ter de sentir dor para ter significado e tenho a certeza que para ti não faria qualquer sentido tal coisa. Pelo menos não deixaria que pensasses assim.
Cheguei, de carro, ainda à espera deles.
Fui-me aproximando. Continuava muito frio, mais agora. Recuperei as forças e fui sentido que sim, tinha conseguido, tínhamos conseguido.
Quando eles chegaram, abraçamo-nos e aí, as lágrimas que não caíram durante os últimos kms e que já estavam a fazer muita força para sair, libertaram-se e eu senti um alívio esquisito.
Senti que o tinha feito. Ali acreditei que é possível cumprir promessas, mesmo quando estas não são feitas em voz alta nem a alguém que esteja ao nosso lado.
Quando nos sentámos, talvez para uma espécie de comunicação, não o consegui fazer. Muitas ideias na cabeça, sem saber o que pensar, o que dizer, o que sentir, como o fazer. Principalmente isso.
Não sei porque o querias fazer, não te perguntei.
Não sei quão devoto eras, nunca tentei perceber.
Não sei motivos, não sei convicções.
Sei que querias, que tinhas vontade e que de certeza precisavas de o fazer.
Penso que não o chegaste a fazer.
Agora, espero ter conseguido ajudar-te a fazer o que querias, porque fosse qual fosse o motivo sei que era importante para ti. Acredita, passou a sê-lo muito para mim também.
Espero ter conseguido ajudar-te. Espero que tenhas aproveitado a boleia. Espero não ter sido tarde de mais.
És grande e tens um coração do tamanho do mundo.
ResponderEliminarAdoro-tU!
:D hughughughughug*
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